Carta de São Luís é aprovada no LXII encontro do Copedem

Entenda a Carta de São Luís

A Carta de São Luís foi formalmente aprovada durante o LXII Encontro do Colégio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura (Copedem), realizado em São Luís nos dias 12 e 13 de fevereiro de 2026. Este documento reflete publicamente os diálogos e deliberações ocorridas durante o encontro, centrando-se em temas como a avaliação da utilização ética da Inteligência Artificial (IA), a importância da pesquisa prática no contexto judiciário e a necessidade da cooperação entre instituições acadêmicas para aprimorar a eficiência da jurisdição.

Principais Diretrizes Aprovadas

A Carta de São Luís traz diretrizes representativas dos debates realizados. Um dos principais aspectos abordados é a formação contínua de magistrados, que é considerada uma responsabilidade primária e exclusiva das Escolas Judiciais e das Escolas da Magistratura. Essa diretriz atribui um papel central às escolas no processo educacional e na formação de juízes.

Outro ponto de destaque é a utilização responsável e ética da Inteligência Artificial na gestão e atividades jurisdicionais. A Carta estabelece que a inserção dessa tecnologia deve ser acompanhada de formação adequada, a fim de garantir que os magistrados estejam preparados para os desafios da digitalização do sistema judiciário.

Carta de São Luís

Uso Ético da Inteligência Artificial

Um dos temas mais comentados na Carta é o uso ético, responsável e seguro da Inteligência Artificial Generativa. A aprovação dessa diretriz ressalta a necessidade de que a implementação dessas ferramentas tecnológicas seja feita com uma formação adequada e contínua, coordenada pelas Escolas Judiciais e as Escolas da Magistratura. Isso garante que as instituições estejam preparadas para enfrentar os desafios impostos por essas inovações tecnológicas e que a sua utilização resulte em benefícios reais para o sistema judiciário.

Importância da Formação Contínua

A formação contínua é um dos pilares da proposta contida na Carta de São Luís. As diretrizes estabelecem que o funcionamento adequado das Escolas Judiciais requer condições institucionais e orçamentárias adequadas, além de um suporte técnico compatível com suas atribuições. Uma formação diversificada, que inclui ensino interdisciplinar e estudos de caso, é fundamental para melhorar a qualidade da jurisdição.

Iniciativas Inclusivas no Judiciário

A Carta também faz um apelo para que sejam promovidas práticas inclusivas voltadas às populações indígenas e quilombolas. Este compromisso com a diversidade reforça a relevância de iniciativas que busquem entender e integrar diferentes realidades sociais dentro do sistema de Justiça, valorizando a pluralidade cultural e fortalecendo o papel da justiça em servir a todos os segmentos da sociedade.



Palestras e Apresentações no Copedem

No segundo dia do evento, houve uma palestra proferida pelo Professor João Batista Bottentuit, sob o título “Da Informação à Decisão – O Papel da Pesquisa na Atividade Jurisdicional”. Ele destacou a importância da pesquisa científica e da busca diligente por informações na tomada de decisões dentro do Judiciário. O professor alertou sobre a necessidade de os profissionais saberem diferenciar fontes de informação confiáveis e aplicarem critérios rigorosos na pesquisa.

A abordagem do uso da Inteligência Artificial também foi central na palestra, enfatizando que, embora essas ferramentas sejam valiosas, elas não podem substituir a análise crítica e a decisão fundamentada dos humanos. Bottentuit alertou sobre as chamadas “alucinações” das IAs, onde informações imprecisas ou fabricadas podem ser apresentadas, ressaltando a importância de uma supervisão humana contínua para evitar erros e interpretações mal orientadas.

Desafios na Implementação das Diretrizes

Uma vez aprovadas as diretrizes, o próximo passo é a sua implementação prática nas várias jurisdicções. Um dos desafios principais será garantir que as Escolas Judiciais recebam o suporte financeiro e técnico adequado para cumprir sua missão de formação. Além disso, a resistência a mudanças que novas tecnologias podem gerar também representa um obstáculo a ser superado.

A formação contínua de magistrados precisa ser adaptada constantemente às novas realidades que emergem, inclusive as trazidas pela digitalização e pelo uso da inteligência artificial. Assim, um planejamento cuidadoso e uma colaboração aberta entre as instituições são essenciais para que essas diretrizes sejam efetivas.

O Papel das Escolas Judiciais

As Escolas Judiciais são fundamentais para a formação e atualizações necessárias dos profissionais do Judiciário. A Carta de São Luís reforça que esses espaços educacionais devem ser vistos como centros de excelência e de inovação, onde as melhores práticas de ensino são aplicadas. Assim, potencializar o conhecimento e a prática dos magistrados contribui significaivamente para a realização de uma justiça mais efetiva e humanizada.

Colaboração Acadêmica e Inovação

A cooperação entre as Escolas Judiciais e instituições de ensino superior é um ponto destacado no documento, considerando-a como um vetor atualizado de inovação e intercâmbio de práticas. Essa colaboração deve incluir atividades como pesquisas conjuntas, eventos acadêmicos e iniciativas de formação continuada, enriquecendo o ambiente educacional e fortalecendo as capacidades das escolas.
O fomento a tais parcerias permitirá uma troca de conhecimentos que beneficiará não só as instituições de ensino, mas também o sistema judiciário como um todo, contribuindo para um trabalho mais integrado e inovador.

Impacto da Carta na Jurisdição

Por meio da aprovação da Carta de São Luís, a expectativa é que haja um impacto significativo na maneira como a jurisdição opera. Com as novas diretrizes em prática, espera-se que a formação dos magistrados se torne mais alinhada com as realidades contemporâneas, promovendo um Judiciário mais eficiente e adaptado às demandas da sociedade atual. Essa mudança poderá promover um avanço na qualidade do atendimento ao cidadão e na celeridade dos processos, elementos essenciais para a confiança na Justiça.