Implosão da ponte na BR-135 será em 1º de novembro

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) fará a implosão da Ponte Marcelino Machado, na BR-135, em 1º de novembro de 2026. A estrutura fica sobre o Estreito dos Mosquitos e integra o principal acesso rodoviário a São Luís.

Construída em 1960, a ponte passou por intervenções após danos em 2004 e voltou a apresentar problemas identificados em 2016. O DNIT interditou a estrutura em abril de 2026.

A operação afetará motoristas que trafegam pela BR-135, entre Bacabeira e São Luís, no Maranhão. Segundo o DNIT, a implosão ocorrerá no domingo, 1º de novembro.

A demolição será seguida pela reconstrução da ponte, contratada pelo DNIT. O caso envolve também o histórico de conservação da estrutura e as empresas responsáveis pela obra.

Interdição e operação na Ponte Marcelino Machado

O DNIT programou o bloqueio total da BR-135 entre 10h e 16h, nos dois sentidos. Os pontos de interdição ficam no km 40, em Bacabeira, para quem segue em direção a São Luís, e no km 22, para quem deixa a capital.

A operação será coordenada pela Defesa Civil municipal. Durante o bloqueio, o tráfego continuará pela outra ponte do complexo, que funciona em mão dupla desde a interdição da estrutura antiga.

Segundo o DNIT, a ponte em operação recebeu melhorias e permanece sob monitoramento. O órgão orienta os motoristas a programar as viagens para evitar o período de interdição e acompanhar comunicados do DNIT e da Polícia Rodoviária Federal.

Histórico de danos e questionamentos sobre a manutenção

O Ministério dos Transportes informou que as inspeções encontraram corrosão, fissuras acentuadas e oxidação das armaduras. Também foram identificados deslocamento de um bloco de concreto e perda de rigidez estrutural.

O DNIT afirma que a ponte foi projetada conforme os padrões de carregamento da década de 1960 e já teria cumprido sua vida útil de projeto. A discussão sobre a conservação também envolve o controle de peso nas rodovias: a referência aponta que não há controle efetivo de cargas e que a tolerância para sobrepeso foi ampliada para atender interesses de embarcadores e transportadores.



Os registros de problemas estruturais levantam a questão sobre a possibilidade de prolongar a vida útil com manutenção preventiva e reforços. Para determinar se a demolição poderia ter sido evitada, seria necessário analisar os laudos técnicos e o histórico de manutenção da estrutura.

Contrato de reconstrução e empresas responsáveis

A reconstrução foi contratada emergencialmente por R$ 176,7 milhões, com previsão de conclusão em 2027, sem uma data específica divulgada. O Consórcio Ponte Estreito Maranhão, formado pela Construtora A. Gaspar S/A e pela Arteleste Construções Ltda., executará o serviço.

As mesmas empresas foram contratadas emergencialmente pelo DNIT para reconstruir a Ponte Juscelino Kubitschek, na BR-226, entre Maranhão e Tocantins. A estrutura desabou em dezembro de 2024, causando 17 mortes; em 2022, as duas construtoras haviam sido desclassificadas de uma licitação para a Ponte de Guaratuba, no Paraná, por não atenderem aos requisitos de qualificação técnica daquele certame.

Sobre a obra na BR-226, o DNIT declarou que a contratação emergencial seguiu os procedimentos legais e que as empresas cumpriram os requisitos exigidos. Em fevereiro de 2026, a Controladoria-Geral da União apontou indícios de sobrepreço milionário no contrato, mas, em setembro daquele ano, o Ministério Público Federal homologou por unanimidade o arquivamento do caso, por não identificar superfaturamento global materializado ou prejuízo ao erário.

O parecer do MPF também concluiu que não houve comprovação de crime ou improbidade administrativa e considerou compatíveis os custos com a complexidade da obra emergencial e as tabelas SICRO/SINAPI. Somados, os contratos para reconstruir as pontes Marcelino Machado e Juscelino Kubitschek representam cerca de R$ 348,7 milhões em recursos públicos.



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